Região Leste é a segunda com mais moradores de rua da capital

A pandemia e a crise econômica contribuíram para o aumento do número de pessoas em situação no País. É o que aponta um levantamento nacional da UFMG. Belo Horizonte ocupa o segundo lugar entre as capitais, nesse triste ranking. Segundo a Pastoral de Rua, a regional Leste é a vice-líder em quantidade de pessoas vivendo nas ruas na capital.

Confira a última Pesquisa População em Situação de Rua/Capitais dos Estados/ Dezembro de 2021, desenvolvida pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas, Polos de Cidadania, UFMG. Os dados se referem a cidades com maior número de pessoas em situação de rua no Brasil:

  • * Primeiro lugar: cidade de São Paulo: 31.884
  • * Segundo lugar: cidade de Belo Horizonte: 9.157, segundo o CadÚnico (Cadastro Único) e 4.600, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte.
  • * Terceiro lugar: cidade do Rio de Janeiro: 8.863, segundo o CadÚnico
  • A proximidade com a região Centro-Sul e os efeitos sócio-econômicos da pandemia são alguns dos fatores que fazem da região Leste a segunda colocada em quantidade de moradores em situação de rua da capital. Outro atrativo é o abrigo Tia Branca que atende a centenas de pessoas no bairro Floresta e atrai a concentração dos moradores de rua. Eles podem ser vistos nas barracas, malocas e nas calçadas da principais avenidas. A região tem um forte apelo econômico.

Segundo Felipe Marcelino, Agente da Pastoral de Rua, junho de 2020 a agosto de 2021, durante os atendimentos da pastoral na Serraria Souza Pinto, o número de assistidos saltou de 400 para 900 pessoas. “Há mais gente vivendo nas ruas! Esse número mais que dobrou! A nossa percepção não é a mesma da Prefeitura de Belo Horizonte”.

A questão da ausência de uma política pública voltada para a moradia é outra grave questão apontada por Felipe. De acordo com ele, há mais de quatro anos a capital não tem um programa habitacional. “Não falo de aluguel, mais sim, de garantia à propriedade ao imóvel. O Bolsa Moradia tem suas limitações. Precisaria ser fortalecido também”.

A situação da saúde mental dos moradores de rua é um fator preocupante. A depressão, aliada ao uso de bebidas alcoólicas, de drogas ilícitas e problemas familiares adoecem essa população e, ao mesmo tempo, é o que os sustentam para resistir ao sofrimento.

Neste momento, a PBH organiza um estudo sobre a população em situação ou com trajetória de vida nas ruas.

Atualmente, Belo Horizonte conta com aproximadamente 2.000 vagas/pessoas atendidas, em 16 abrigos destinados a homens e mulheres adultos, adolescentes e famílias com trajetória de vida nas ruas. Todos os endereços podem ser encontrados no portal da Prefeitura. A rede sócio-assistencial de Belo Horizonte está em processo de expansão, com a abertura de editais para a criação de novas unidades.

Fonte de pesquisa: https://datawrapper.dwcdn.net/bjfV6/4/

Imagem em destaque: Cesar Augusto Ramirez.