Região Leste é a terceira no ranking de moradores de rua de BH

Eles estão nos passeios, debaixo das marquises, de pontes e viadutos. São as pessoas em situação de rua. O Radar Leste BH esteve com alguns deles, em vários pontos da nossa região. Não vamos identificá-los para não privá-los de  um direito que a vida na rua insiste em tirar deles: a privacidade.

Casal improvisou esta ‘moradia’ na calçada de uma agência bancária  

Esta é a moradia improvisada de um casal que não conseguiu pagar o aluguel, foi despejado e, como não tinha para onde ir, se instalou em frente a um banco, em uma avenida do bairro Sagrada Família.. Alguns metros  depois, a situação se repete. Desta vez, no Floresta. Um homem dorme nesta calçada. Ao lado dele o colchão da companheira e os pertences do casal.

Não é à toa que vemos flagrantes como esses em vários pontos da Leste. Segundo Claudenice Rodrigues, coordenadora da Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte, a nossa região é a terceira no ranking de pessoas em situação de rua da capital. Perde para a Centro-Sul e Noroeste. E a origem dessa realidade é sempre a mesma: a questão sócio-econômica. “Antes da pandemia, o corre-corre do dia a dia não nos permitia prestar atenção neles, mas sempre estiveram na rua. Com a crise estão aparecendo mais!”.

Mais um flagrante da vida na rua. Avenida Flávio dos Santos

A complexidade de se viver na rua

Com mais de 20 anos de atuação na área, Claudenice afirma: “Sem uma política estruturante de moradia, de geração de renda, acesso à saúde e um suporte psicossocial vamos continuar vendo essas cenas”. A coordenadora cita como exemplo a precariedade do único albergue da região Leste, na rua Conselheiro Rocha, no bairro Floresta.

O local é mantido pela PBH e a procura é grande. São oferecidos, além da noite de sono, banho, alimentação e orientações do Serviço Especializado em Abordagem Social. “Mas, são apenas 450 vagas. Além disso, não há portas nos banheiros, nem privacidade. Quem tiver um animal ou pertences demais não entra”.

 Tentando aliviar essa situação a pastoral atua em várias frentes humanitárias. A mais recente foi a parceria com um banco que doou mais de mil barracas, um agasalho, dois pares de meia e um saco de dormir para quem vive nas ruas.

De acordo com Claudenice, a iniciativa amenizou um pouco a dor de quem saiu de casa pela crise ou por situações familiares diversas, como a violência sofrida por um parente ou sofrimento mental. “Mas, a condição de rua adoece também”, alerta.

O sonho da coordenadora da pastoral é que os moradores em situação de rua sejam vistos como seres humanos. “Que não fiquem invisíveis aos olhos de pedestres, motoristas e, principalmente, de uma política que envolva várias frentes de apoio”.

Claudenice espera mais humanidade de todos nós. Foto Claudenice

Dados da Secretaria Municipal de Assistência Social

Os cadastros atualizados do CadÚnico, considerando os últimos 12 meses, indicam uma variação entre 4,5 e 4,6 mil pessoas em situação de rua em Belo Horizonte.

Em relação ao perfil:

– 88% são homens;

– 60% se autodeclaram pardos;

– 38,8% têm entre 25 e 39 anos;

– 52% têm ensino fundamental incompleto;

– 14% têm ensino fundamental completo.

Quer saber mais? Clique aqui e confira a pesquisa feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social em 2019 sobre a população em situação de rua.