Risco no período chuvoso; devo chamar a Defesa Civil ou o Bombeiro?

Você sabe quando acionar o Corpo de Bombeiros ou a Defesa Civil em caso de risco? E quando houver um perigo de desmoronamento, queda de árvore ou alagamento? Para quem ligar primeiro? Nesta entrevista com o tenente Manoel Braga, do Corpo de Bombeiros, você tira essa e muitas outras dúvidas sobre as atribuições de cada um dos serviços públicos essenciais.

Radar Leste BH: em caso de risco no período chuvoso o cidadão deve acionar primeiro o Corpo de Bombeiros ou a Defesa Civil?

Trata-se na verdade de serviços públicos diferentes, porém totalmente complementares e necessários. As atribuições dessas duas instituições são muitas. Além disso, ambas as instituições podem atuar na resposta e na prevenção dos desastres relacionados ao período chuvoso. Porém, de forma geral, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado especialmente nos casos em que houver vida humana ou animal em risco ou já em situação de soterramento, desabamento, alagamento, pessoa ilhada ou no corte de árvores em via pública ou sobre residências, por exemplo.

A Defesa Civil atua especialmente na avaliação do risco de uma residência desabar devido a problemas na sua estrutura causados pelas chuvas (é a chamada vistoria técnica), no fornecimento de lonas para mitigação dos efeitos de escorregamento de taludes (barrancos), por exemplo, ou ainda apoiam na assistência social aos desalojados, desabrigados ou pessoas que perderam sua condição de moradia ou alimentação em razão das chuvas.

Para acionar o Corpo de Bombeiros Militar o número de telefone é 193. Para a Defesa Civil é 199 e para serviços de limpeza urbana/corte de árvores da Prefeitura é 156.

Acione os bombeiros pelo número 193. Foto Pixabay

 Radar Leste BH: o que o trabalho dos bombeiros tem de específico no período de catástrofes provocados pelas chuvas?

A preocupação do Corpo de Bombeiros com os danos provocados pelas chuvas é constante, mudando apenas o enfoque. No período de seca, sem chuvas, trabalhamos nas ações de prevenção, preparação e mitigação de situações que poderemos encontrar no período chuvoso.

No período chuvoso, trabalhamos mais na resposta aos eventos decorrentes das chuvas, como os alagamentos, soterramentos e desabamentos. Nessa fase, somos auxiliados por todo aquele trabalho que foi feito lá no período de “normalidade”, sem chuvas.

 Radar Leste BH: antes do período chuvoso, quais são os cuidados que devem ser tomados por todos nós?

O cidadão deve aumentar sua percepção de risco nessa época do ano e estar um passo à frente do perigo. Isto é, esperamos que cada reflita sobre as ações que vá tomar durante o período de chuvas, por exemplo:

– não ficar debaixo de árvores durante as chuvas, pois ela poderá cair sobre a pessoa ou veículo;

– evitar permanecer em residências mais frágeis localizadas em encostas (barrancos), especialmente aqueles que já tem histórico de escorregamentos;

– realizar o corte ou poda preventiva de árvores que podem trazer problemas diante de ventos fortes ou chuvas intensas;

– evitar jogar ou acumular lixo nas ruas ou locais que não são apropriados para armazená-los, evitando o entupimento dos sistemas de drenagem de água;

– dentro do possível, evitar lançar a água da chuva que vem do telhado, por exemplo, direto no barranco (que pode levar ao deslizamento da encosta) ou na rede de esgoto (fazendo com que a rede transborde e favorecendo a proliferação de doenças);

– observe suas casas: as trincas e rachaduras, janelas ou portas emperradas, paredes com infiltração, são sinais de que a estrutura da casa pode estar comprometida;

– até ações simples como manter o cartão de vacinas em dia são importantes. Assim, deve-se evitar o contato com as águas das enxurradas, que podem estar contaminadas com fezes e urinas de animais, o que pode causar doenças como leptospirose, hepatite, febre tifoide.

  • Ten. Manoel, de capacete branco, em resgate. Foto Ten. Manoel

    Radar Leste BH: o senhor pode citar uma situação de atuação em tempos de tempestade que te marcou e que serve de ensinamento para todos nós?

  • Ao chegarmos numa residência parcialmente soterrada, pedimos aos amigos e familiares para todos se retirarem imediatamente do local, pois a estrutura poderia ceder. Depois de muita resistência por parte de todos os presentes, conseguimos finalmente evacuar o local. Minutos depois, tudo veio abaixo. Por pouco, teríamos ali cinco vítimas sobre os escombros e que insistiam de que tudo estava bem e o pior já tinha passado.
  • A lição que fica é estarmos a esses perigos e evitarmos que uma tragédia tome dimensões ainda maiores, podendo inclusive matar pessoas que estavam apenas querendo ajudar.