Santa Inês tem 14 quarteirões cheios de problemas e riscos

Experimente descer na estação Santa Inês do metrô, iniciar uma caminhada pela calçada da rua Gomes Pereira e seguir  até  a rua Timóteo. Você pode se surpreender com os flagrantes de desrespeito à segurança dos pedestres, motoristas e moradores. No percurso, de aproximadamente 14 quarteirões, vai encontrar pela frente muito mato, lixo acumulado e focos de doença. No final do trajeto uma surpresa ainda mais negativa! Uma obra gigantesca, abandonada. 

A calçada estreita que margeia as estações Santa Inês e José Cândido da Silveira do metrô ora revela, ora esconde perigos antigos, conhecidos das autoridades, mas longe de uma solução. Um desses problemas é a quantidade imensa de lixo espalhado da parte interna do muro até beirar a linha do metrô. São restos de materiais de construção, animais mortos, roupas velhas, baldes virados para cima, garrafas…um verdadeiro berçário para a proliferação do mosquito da dengue.

Mais uns metros de caminhada e uma surpresa! Moradores em situação de rua estão vivendo precariamente na parte de trás da estação Santa Inês.. É preciso desviar o olhar para o fundo do matagal para achar a casa improvisada, feita com tapumes. Procurando ainda mais dá para avisar um varal, com calças jeans e camisas estendidas.

O presidente da Associação Comunitária do Bairro Santa Inês, Antônio Paulino, diz que cobra freqüentemente das autoridades a limpeza, capina e mais segurança para a área. “Você não tem noção da quantidade de escorpiões, ratos, dos casos de dengue e e outras doenças por aqui! Tudo por conta do descaso das autoridades”, reclama.

A moradia improvisada foi feita com tapumes e tem até varal

Paulino nos mostra um outro flagrante. Um portão que deveria estar trancado, com placa indicando ‘Perigo’, está escancarado. É só dar poucos passos para dentro da área para ver mais uma imensidade de sujeira. Além disso, o risco de que o local aberto se transforme em esconderijo para bandidos. “É muito comum ver esse portão arrombado. Carroceiros entram aqui para jogar entulho, resto de obra e para deixar os cavalos pastando. Tudo a poucos metros de distância de onde passa o metrô. Já pensou o perigo se um cavalo invade a linha do trem?”, destaca.

Antônio mostra o portão que é aberto por vândalos com frequência

Seguindo pela calçada passamos pela ponte da rua Minduri. Abaixo dela a continuação da linha férrea e, nas laterais dos trilhos, mais lixo. Dessa vez as garrafas pet, sacolas plásticas e até uma poltrona se misturam ao brejo. Segundo Paulino, no local há uma mina d’água. “Já pedimos a drenagem dessa água. Olhe só o risco de doença. Está aí para qualquer um ver”.

O descaso com a comunidade parece não ter fim. Chegamos na estação José Cândido da Silveira. O espanto e a indignação só não são maiores que o túnel gigantesco, tomado por muito mato, brejo e inacabado há décadas. A construção abandonada, segundo Paulino, deve ter pelo menos 200m de extensão e teria sido feita pela Vale para transportar minério. O líder comunitário conta que enviou vários ofícios pedindo providências.

A associação dos moradores acionou o Ministério Público requerendo a drenagem, limpeza e segurança da área e no ano passado foi realizada a primeira audiência, de acordo com Antônio. “Os moradores não merecem tanto descaso e estão expostos a todo o tipo de risco. As autoridades precisam nos ajudar nessa luta”, desabafa.

O túnel abandonado é foco de doenças e até o Ministério Público entrou no caso

O que dizem as autoridades

A CBTU informa que realizou diligências no local citado nesta reportagem, usado como moradia provisória. As pessoas que ocuparam o local foram alertadas e  a questão foi prontamente solucionada. Procurada, a Vale respondeu que o túnel abandonado não pertence a ela.

Em nota o Dnit confirma que a área citada na reportagem tem sido usada para o descarte irregular de lixo. O departamento informa que Ministério Público e a Polícia Federal foram comunicados sobre os problemas citados. O serviço de roçada e a remoção do entulho têm sido feito conforme as normas ambientais do município. Foram recuperados os muros derrubados por vândalos na altura da rua Timóteo com Manduri e recuperado o portão arrombado.

O Ministério Público de Minas Gerais foi acionado pela reportagem e aguardamos retorno. A MRS Logística comunicou que o túnel não é dela.