Saudade; o bairro vizinho da morte mas, que celebra a vida!

A origem do nome do bairro vem do cemitério municipal da Saudade. Construído em 1942, é o segundo mais antigo da capital. O primeiro é o Bonfim. A aposentada Hilda Gonçalves, de 76 anos, mora há poucos metros do cemitério e garante. “Nunca tive medo de nada, nem de fantasmas! O que me aterroriza é a maldade dos vivos!”.

Dona Hilda viu acompanhou as mudanças do bairro Saudade

Dona Hilda mora há 40 anos no Saudade. Ela veio de Januária, no Norte do Estado, com os quatro filhos. Quando chegou, havia umas 20 casas ao redor e muito verde. A esperança de uma vida melhor só virou realidade a partir da década de 80 quando as ruas de terra foram asfaltadas e foi concluído o saneamento do bairro. Ela participou da fundação da primeira associação comunitária e sempre atuou ativamente na da defesa de melhorias para a vida dos moradores.

Quando a alegria brinca com a morte

Irreverência e criatividade são a marca do Bloco da Saudade. O cortejo sai no fim da tarde da quarta-feira de cinzas da rua Arcos, faz um trajeto de aproximadamente duas horas pelas principais vias do bairro, passa pelo cemitério e retorna para o ponto de partida.

O bloco traz uma temática tenebrosa e, ao mesmo tempo, animadíssima. E não pode faltar a marcha fúnebre que é tocada vez ou outra, mas sem deixar de animar os foliões com as tradicionais músicas carnavalescas. Os moradores capricham nas fantasias com temas ligados à morte e ousam com a maquiagem macabra. Muitos se inspiram em personagens de filmes de terror, em caveiras e brincam com morte para comemorar a vida.

Tetê, de roxo, levando o bloco pelas ruas do Saudade. Foto Instagram

Tetê Avelar criou o bloco há cinco anos. Muito antes, em 2008, ela que é integrante do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, começou a exibir filmes na porta de casa, na rua Arcos, a cada dois meses. Entre as obras, algumas com a temática da morte, como Quincas Berro d’Água. O cinema na rua despertou nos moradores o desejo de comemorarem juntos a festa junina e o surgimento do bloco foi o próximo passo. “O bloco quebrou o tabu da morte porque o importante é comemorar a vida”, destaca.