Segurança na Leste com Elson Matos

Meu nome é Elson Matos da Costa, Delegado de Polícia, morador da Região Leste desde 1989. Vivi no bairro Esplanada e hoje moro no Casa Branca. São os dois bairros onde transito normalmente e que fazem parte da minha vida profissional e pessoal. Trabalhei a maior parte do tempo no Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp),  integrando a Divisão Antisseqüestro, onde mais tarde acabei chefiando tanto uma quanto a outra. E aqui vai também um orgulho de pai: o meu filho Marco Aurélio Matos da Costa é o chefe dos investigadores do Deoesp atualmente. Comecei a cursar Jornalismo, mas acabei não concluindo por motivos diversos.

A década de 90 foi quando o País se viu às voltas com um numero muito grande de extorsão mediante sequestro, e aqui em Minas Gerais, tivemos a oportunidade de inovar na investigação deste crime hediondo. Tivemos 99% de sucesso em nosso trabalho, prendendo sequestradores, libertando o refém de dentro do cativeiro e não pagamento de resgate. Tornando, desta forma, Minas Gerais como foco da melhor polícia investigativa do Brasil, graças aos inúmeros sucessos que obtivemos, salientando que a maioria dos cativeiros era fora de nosso Estado.

Um dos casos, ocorrido em 1997 me deixou marcas físicas e psicológicas. Um casal foi sequestrado em Divinópolis, na região Centro-Oeste do Estado. O pagamento de resgate ocorreu na Via Dutra, em Taubaté-SP. No momento em que o dinheiro era repassado aos sequestradores tentamos intervir. Fui baleado e atingido diversas vezes por disparos de fuzil. Levado ao Hospital de Taubaté fiquei por cinco dias no CTI. Fui trazido para o hospital do IPSEMG, em Belo Horizonte. Foram mais uns 50 dias entre a vida e a morte. Finalmente consegui vencer com a ajuda dos eficientes médicos daquele local e voltei a exercer a minha atividade, quase que normalmente, devido às sequelas que ficaram até hoje. Mas foi uma vitória contra a morte. Faz parte da profissão, principalmente quando gostamos daquilo que fazemos.

A violência então faz parte de nossa sociedade tão desigual e estamos vendo agora, na pandemia do COVID-19. As pessoas ficando sem empregos formais ou informais e assim sem condições de subsistência dentro de casa. É para momentos conturbados que existe a Polícia, que devido a sua atuação, consegue controlar os instintos mais bestiais do ser humano, e em caso de extrema necessidade acaba cometendo algumas atrocidades. Outros, mesmo não precisando de insumos básicos, também acabam passando para o lado do crime

Com o isolamento social que nos foi imposto pelo coronavírus, até que se ache uma vacina ou remédio para combater, estamos nos mantendo dentro de casa. Assim, o aumento dos pedidos delivery, ou seja, a entrega de alimentos e outros produtos em nossas casas, oferece uma facilidade sem que haja a necessidade de sair às ruas. Mas, o ser humano é muito criativo e aqueles que projetam fazer o mal a alguém, também se aproveitam desta oportunidade e simulam uma entrega, não pedida, para que a porta seja franqueada e assim facilitar o acesso do marginal, normalmente acompanhado de mais um ou dois e praticar um crime.

Devemos tomar cuidado antes de abrirmos nossas portas para o primeiro que tocar a campainha, sem antes sabermos se realmente aquele pedido foi feito e em nome de quem. É uma forma simples e tranquila de evitarmos que um mal maior acabe vindo a acontecer a nossa família, às vezes, de forma irreparável.

Aceito sugestões para que possamos falar de temas que digam respeito a qualquer leitor nesta área.

Meu Instagram é @elsonmatosdacosta