Setembro verde; seja um doador de órgãos e ajude a salvar vidas

O Dia Nacional da Doação de Órgãos está chegando. Nesta entrevista com o doutor Omar Lopes Cançado Jr., diretor geral do MG Transplantes, você fica sabendo um pouco mais sobre o assunto. Informe-se também sobre como doar e a necessidade de informar aos parentes e amigos sobre a vontade de realizar esse ato de amor.

Doutor Omar, diretor geral do MG Transplantes. Foto Fhemig

Radar Leste BH – No dia 27 de setembro lembramos o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A falta de conhecimento ainda é o maior empecilho para que as doações avancem ainda mais?
A campanha é importante exatamente para conscientizar e sensibilizar a população sobre a necessidade da doação de órgãos e fazê-las conversar sobre o assunto com sua família e seus amigos. Uma única pessoa pode salvar, ou melhorar, a qualidade de vida de até 11 pessoas que estão na fila de espera por um órgão. Se acrescentarmos os tecidos como pele, ossos, tendões e valvas cardíacas, esse número sobe para dezenas.

Radar Leste BH – Com a pandemia diminui a quantidade de doações e de transplantes?
O afastamento social impediu as pessoas de saírem às ruas e, com isso, refletiu na diminuição do número de acidentes e traumas em 45%, além das pessoas terem contraído menos doenças em geral. Isso somado ao fato de que muitos possíveis doadores tiveram que ser excluídos. Aqueles pacientes com qualquer suspeita de doença respiratória eram, automaticamente, excluídos da possibilidade de ser doador, independentemente do quadro ter sido relacionado à covid-19. 

Informe-se e seja um doador. Arte Secretaria de Estado da Saúde

Quero ser um doador. O que devo fazer?

Radar Leste BH – O senhor pode nos explicar em que casos a doação pode ser feita em vida e ou quando o doador morre?
Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém de sua família ou amigo. Este tipo de doação só acontece se não representar nenhum problema de saúde para a pessoa que doa.

Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo.Todo o processo pode ser acompanhado por um médico de confiança da família do doador.

 É fundamental que os órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sanguínea irrigando-os, ou seja, antes que o coração deixe de bater e os aparelhos não possam mais manter a respiração do paciente. Mas se o coração parar, só poderão ser doadas as córneas.

Radar Leste BH – O SUS ainda é o maior financiador dos transplantes de órgãos?
O Brasil possui o maior sistema público de transplantes no mundo, sendo responsável, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), pelo financiamento de cerca de 92% dos procedimentos. Além disso, o País é o segundo em número absoluto de transplantes, ficando atrás somente dos Estados Unidos.

Radar Leste BH –  Quem tem a intenção de ser um doador deve se manifestar junto aos parentes? O que mais deve ser feito?
O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

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