Vamos refletir sobre futebol, torcida e violência

Um assunto que sempre retorna em nossos noticiários diz respeito a violência relacionada com o futebol. Se eu torço para um time, o meu adversário tem que estar na lama e para isto, devo fazer tudo ao meu alcance para que  ele seja considerado perdedor, esteja frustrado, nervoso, bravo, e se assim não estiver, vou provocá-lo. E times de futebol se parecem um pouco com a nossa vida, vivemos de alegrias e tristezas em determinados tempos, quando ganhamos títulos e quando perdemos. Na vida, assistimos o nascimento de nossos filhos, netos e ao mesmo tempo a morte de pessoas próximas, então não estamos sorrindo o tempo todo e muito menos chorando sempre.

As frustrações são descarregadas quando o nosso time vai mal e somos vítimas de “bullying”, e normalmente o que ocorre é que ao sairmos do estádio, felizes ou tristes com o mau desempenho do time do coração, descarregamos tudo isto em outras pessoas que estão alegres. Os que vestem uma camisa do time, veem isto como uma visão de vida em lutar até a morte por aquilo que o escudo representa. Neste momento, “tudo será permitido”, inclusive agredir outro ser humano, podendo levar até a morte este adversário ou inimigo. Assim eu aplaco a minha frustração com o “meu” time de futebol e impor a minha masculinidade que está sendo desafiada.

No domingo, 28/11, no Barreiro, um grupo da Máfia Azul, cerca de 30 marginais, atacou um ônibus do MOVE onde estavam torcedores do Atlético, depredaram e jogaram coquetéis Molotov dentro do veículo, onde 11 pessoas ficaram feridas e um jovem de 22 anos morreu depois por causa dos ferimentos recebidos.

O Ministério Público diante deste caso pediu o banimento desta torcida dos estádios de futebol por seis meses. Além, é claro da responsabilidade penal sobre o homicídio e lesões corporais atribuídas a um grupo que foi localizado logo depois do atentado. Com certeza estes agressores, após a condenação, terão de amargar por um bom tempo dentro de uma cadeia, até que possam entender que determinadas atitudes erradas, impensadas, agressivas, podem nos colocar em situações nunca esperadas.

Esta violência gratuita ainda continua a ser um grande problema para um esporte de massa como é o futebol, e pelo que parece esta mesma violência que o pais vive com dezenas de homicídios e roubos ocorridos no dia a dia refletem nos campos e principalmente em seu entorno, bem como junto a torcida. Esta, formada por diferentes grupos sociais repete, principalmente quando junto a um grupo, uma violência desmedida extravasando uma raiva contida contra seus adversários.

Diz Mauricio Murad, sociólogo e especialista em sociologia do esporte: “Confundir adversário com inimigo (e inimigo a ser abatido), competição com agressão, e concorrência com violência faz parte do código de agressividades dos grupos que se infiltram nas torcidas, que são minoritários, mas altamente violentos”. E assim caminha o nosso país, infelizmente.

@elsonmatosdacosta

Fonte: www.hojeemdia.com.br

Imagem em destaque: Rádio Itatiaia.